Por que ter uma Reserva de Emergência?

O QUE É RESERVA DE EMERGÊNCIA?
Hoje é muito comum esbarrar com o termo “Reserva de Emergência”. O que ela quer dizer? É o dinheiro que se deve ter em caixa para momentos de necessidade. Esse recurso irá te resguardar quando você se encontrar em uma situação que não havia como prever.
Dessa maneira, ela funciona como uma espécie de seguro. Então ao possuir uma reserva, você terá mais tranquilidade ao enfrentar situações adversas. Quando momentos imprevisíveis ocorrem, pode ser necessário um gasto financeiro extraordinário. Você precisa estar preparado para isso.
DE QUANTO PRECISO PARA FORMAR MINHA RESERVA?
Não existe um valor certo e pode variar muito de pessoa para pessoa. O mais importante é que ela te dê segurança, que você fique confortável para poder pensar com calma, refletir e reagir a situações que não estavam em seu radar.
A ideia principal é ter tranquilidade, logo a constituição da reserva vai depender principalmente de como você obtém a renda que te sustenta atualmente. Se é autônomo, empregado com carteira assinada (CLT) ou funcionário público, por exemplo. Para cada um, o tamanho da reserva poderá variar bastante. Em geral, ela tem que cobrir, no mínimo, de 6 a 12 meses dos seus custos mensais.
Vamos aprofundar no raciocínio de como você deve refletir inicialmente no momento de constituir a sua reserva. Existem outros fatores que devem ser levados em consideração, mas vamos ao principal:
Funcionários Públicos
Para esses profissionais, é comum recomendar algo em torno de 3 a 6 meses a sua renda mensal individual ou familiar, a depender do caso. Por ser uma categoria com uma “estabilidade” maior do que os empregados da iniciativa privada, a renda não varia tanto de um mês para outro e a probabilidade de perderem o emprego é menor.
Porém eles não estão livres dos riscos que existem de simplesmente estarmos vivos. Por exemplo, qualquer problema grave de saúde ou um acidente com perda total de um veículo não segurado pode exigir um grande dispêndio de recursos. Dessa maneira, se a renda mensal individual ou familiar de um funcionário público for de 8 mil, a reserva deveria estar entre 24 a 48 mil.
Empregados da iniciativa privada
Essa categoria de trabalhadores também está sujeita aos mesmos riscos que os funcionários públicos, mas com um agravante: ao contrário das pessoas que trabalham para o Governo, os trabalhadores privados estão mais expostos ao risco de perder a sua renda principal, de ficarem desempregados.
Diante disso, precisam ter um colchão financeiro maior, que não deveria ser menor do que o equivalente a 6 meses da renda mensal individual ou familiar. Nesse sentido, se a renda mensal é de 5 mil, a reserva de emergência deveria ser de no mínimo 30 mil.
Profissionais autônomos
Para esses, é preciso uma análise preliminar de seu custo de vida. Por não receberem salário, não é possível precisar quanto dinheiro terão a cada mês. Assim é necessário fazer a organização mensal de seus gastos dos últimos 12 meses.
Desse modo pode-se descobrir quanto é o seu custo médio mensal para se manter. Essa informação é importante devido a maior exposição aos riscos do dia a dia que possuem.
A maioria deles dependem de si para terem sua renda. O que isso quer dizer? Quando estão trabalhando eles têm renda, quando não trabalham, geralmente não têm.
Portanto, se forem acometidos por algum acidente ou doença que os impossibilite de trabalhar temporariamente, poderão ficar sem dinheiro. São uma categoria mais vulnerável, o que resulta na necessidade de uma reserva de emergência maior.
Se em média o trabalhador autônomo tem um custo de vida de 4 mil reais por mês, então deve multiplicar isso por 12 (meses), o que resultaria em 48 mil reais de reserva.
ONDE INVESTIR A RESERVA DE EMERGÊNCIA?
Já que a reserva de emergência deve ser utilizada em momentos de necessidade, nada mais importante do que ela estar em um lugar de fácil acesso. Procure deixá-la em aplicações financeiras de liquidez imediata, as quais você terá acesso no momento em que for necessário.
É recomendável também que uma pequena parte da reserva esteja em dinheiro em espécie. Se você perder seu celular, sua carteira ou bolsa com seus cartões, ou mesmo ter seu CPF bloqueado, você poderá ficar sem acesso às contas bancárias com sua reserva financeira. Nesse momento, o dinheiro físico salva vidas.
Ainda que a reserva de emergência não tenha como foco obter a melhor rentabilidade, evite colocá-la na poupança. Existem contas digitais que podem ser abertas online e totalmente gratuitas e que rendem 100% do CDI, superando com folga o rendimento da poupança.
Grande parte dessas contas digitais possuem a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), proporcionando uma boa segurança e rentabilidade para sua reserva, além de ser possível efetuar o resgate do dinheiro a qualquer momento. Um bom exemplo desse tipo de conta é a conta digital banco Itaú.
COMO COMEÇAR A FORMAR MINHA RESERVA?
Comece aos poucos e com o que você puder. O importante é começar, criando o hábito de sempre guardar dinheiro.
Em momentos difíceis, qualquer valor é melhor do que nada. Lembre-se de considerar essa reserva como “intocável”. Seu uso deve ser restrito a situações específicas.
Não deixe de criar essa reserva para se sentir financeiramente seguro e não comece a investir, seja em renda fixa ou variável, antes de ter pelo menos parte dela já constituída.

O Poder dos Juros Compostos e o efeito bola de neve

Existe uma ideia equivocada de que, no dia a dia, lidamos apenas com juros simples, já que mudanças financeiras costumam ser percebidas aos poucos. No entanto, a verdade é que os juros compostos estão presentes na maioria das operações financeiras e são responsáveis por transformar pequenas quantias em grandes fortunas ao longo do tempo. Não é à toa que existe uma frase frequentemente atribuída a Albert Einstein, a qual chama os juros compostos de “a oitava maravilha do mundo”.
Se você deseja acumular riqueza de forma sustentável, é essencial entender e aproveitar o poder dos juros compostos e o efeito bola de neve.
Juros simples x juros compostos: qual a diferença?
Para entender melhor a força dos juros compostos, vamos comparar com os juros simples por meio de um exemplo prático:
- Juros Simples: O cálculo é feito apenas sobre o valor inicial (chamado de principal). Suponha que você empreste R$ 1.000,00 a uma taxa de 10% ao ano. Após oito anos, receberá R$ 1.800,00.
- Juros Compostos: O cálculo leva em conta os juros acumulados de períodos anteriores. No mesmo exemplo, com juros compostos de 10% ao ano, o valor final após oito anos seria de R$ 2.143,59.
A diferença pode parecer pequena no curto prazo, mas, ao longo do tempo, essa disparidade cresce exponencialmente. Se o prazo fosse de 30 anos, o valor acumulado nos juros compostos seria cerca de cinco vezes maior (R$ 16.449,40) do que nos juros simples (R$ 3.000,00)!
Caso você queira brincar com esses número, utilize a calculadora de juros compostos aqui do site.
Por que começar a investir cedo faz toda a diferença?
A maior lição aqui é simples: quanto antes você começar a investir, melhor. O tempo é um dos principais aliados dos juros compostos. Quanto mais tempo seu dinheiro puder ficar investido, maior será o impacto do efeito exponencial, formando uma verdadeira bola de neve.
Além disso, é fundamental tomar decisões bem fundamentadas. Assim como os juros compostos podem multiplicar seu dinheiro, escolhas erradas também podem comprometer seu patrimônio. As dívidas contraídas e não pagas também crescem a juros compostos, o que pode ocasionar uma bola de neve contra você.
Warren Buffett e o exemplo vivo dos juros compostos
Um dos maiores investidores de todos os tempos, Warren Buffett, é um exemplo prático do poder dos juros compostos. Ele começou a investir aos 11 anos e manteve uma estratégia consistente ao longo das décadas. Qual foi o resultado? A maior parte da sua fortuna foi acumulada depois dos 50 anos.
Desde 1965, sua empresa, a Berkshire Hathaway, apresentou uma rentabilidade anual composta de 22%, superando de longe os 10,2% do S&P 500 no mesmo período. Isso significa que um investimento de R$ 1.000,00 ao ano com o mesmo rendimento de Buffett, após oito anos, chegaria a aproximadamente R$ 4.907,71 – mais que o dobro do que renderia com juros compostos de 10% ao ano (R$ 2.143,59).
Inicialmente, não parece algo grandioso quando olhamos para o exemplo acima, usando a rentabilidade do maior investidor de todos os tempos. Mas quando a aplicamos por um período mais longo, podemos ver o quanto ela é poderosa. Para ilustrar, vou citar um trecho do livro “A Psicologia Financeira”:
“Enquanto escrevo essas linhas, o patrimônio líquido de Warren Buffett é de 84,5 bilhões de dólares. Desse total, 84,2 bilhões foram ganhos depois de ele completar 50 anos.”
É difícil, como o próprio livro cita, “lidar com tais absurdos”. O efeito exponencial dos juros compostos não é facilmente assimilado pelo nosso cérebro. Para enfatizar ainda mais o efeito do tempo, o livro nos fornece uma outra perspectiva.
O patrimônio original de Warren Buffett era de 1 milhão de dólares aos 30 anos de idade.[…] Mas e se fosse de apenas 25 mil e ele tivesse a mesma rentabilidade e parado de investir aos 60 anos? Qual seria uma estimativa aproximada de seu patrimônio líquido? Não, não seria de 84,5 bilhões de dólares. Seria de 11,9 milhões.
Ou seja, 99,9% menos do que hoje o patrimônio líquido real dele hoje…[..]
A conclusão: Warren Buffett é um investidor excepcional, mas é inegável que o seu maior segredo é o tempo.
Como aproveitar os juros compostos ao máximo?
Se você quer colocar essa estratégia em prática e deixar os juros compostos trabalharem a seu favor, siga algumas diretrizes:
- Invista o quanto antes: o tempo é o maior impulsionador dos juros compostos.
- Seja consistente: pequenos aportes regulares fazem toda a diferença.
- Escolha investimentos sólidos: empresas com vantagens competitivas e boas perspectivas garantem retornos duradouros.
- Reinvista seus rendimentos: quanto mais reinvestir, maior será o efeito exponencial.
- Tenha paciência: o grande potencial dos juros compostos só se revela no longo prazo.
Conclusão
Os juros compostos são uma ferramenta poderosa para a construção de riqueza, mas exigem tempo, disciplina e estratégia. Quanto antes você começar a investir e tomar decisões acertadas, maior será o impacto positivo no seu patrimônio.
O segredo? Persistência e visão de longo prazo. Comece hoje e permita que o poder dos juros compostos e o efeito bola de neve trabalhe a seu favor!
Por que viver um degrau abaixo no longo prazo é muito poderoso
Por que viver um degrau abaixo?

Em um mundo onde o consumo desenfreado e a ostentação são muitas vezes celebrados, a ideia de viver um degrau abaixo do que sua renda permite pode parecer contraintuitiva. Porém, essa postura financeira, especialmente quando aplicada a longo prazo, tem o poder de transformar não apenas sua estabilidade financeira, mas também a forma como você encara a vida e seus objetivos. Viver um degrau abaixo no longo prazo é uma estratégia inteligente e eficaz para alcançar a liberdade financeira.
O que significa viver um degrau abaixo?
Viver um degrau abaixo consiste em adotar um estilo de vida que fica um aquém do que sua renda permitiria. Seria, por exemplo, você ganhar 5 mil e viver com 4 mil, ou se seu orçamento mensal comporta confortavelmente um carro novo, você opta por um usado. Se você puder morar em um apartamento maior, escolha um mais modesto. A ideia é gastar menos do que você pode, criando uma margem financeira que será fundamental para sua segurança e crescimento a longo prazo.
O objetivo dessa estratégia é que você não precise maximizar seu consumo só porque sua renda permite. Ao invés disso, você usa essa margem de sobra para poupar, investir, se divertir e garantir um futuro com maior liberdade financeira.
Por que essa estratégia funciona no longo prazo?
Acumulação de Riqueza
Uma das maiores vantagens de viver um degrau abaixo é a capacidade de acumular riqueza ao longo do tempo. A diferença entre o que você ganha e o que gasta, investido em ativos de forma inteligente, como renda fixa, ações, fundos imobiliários, dentre outros. Com o tempo, esses investimentos podem valorizar significativamente, aumentando seu patrimônio e oferecendo mais segurança no futuro.
Proteção contra imprevistos
A vida é cheia de imprevistos: crises econômicas, desemprego, problemas de saúde, acidente de carro, e outras emergências podem surgir a qualquer momento. Viver um degrau abaixo cria uma segurança financeira que permite lidar com esses imprevistos sem comprometer drasticamente seu estilo de vida. Em vez de recorrer a empréstimos ou acumular dívidas, você pode usar suas economias para enfrentar essas situações de forma mais tranquila.
Redução do estresse financeiro
Uma vida financeira no limite pode gerar estresse constante. Qualquer despesa inesperada pode causar ansiedade e desestabilizar seu orçamento. Ao viver um degrau abaixo, você reduz esse estresse, pois sabe que tem uma folga financeira. Essa tranquilidade mental é inestimável, permitindo que você aproveite a vida sem preocupações constantes sobre dinheiro. Além disso, você estará mais apto para poder pagar por mais lazer e diversão, sem a culpa por estar gastando além do que deveria.
Liberdade de Escolha
Viver um degrau abaixo também proporciona maior liberdade de escolha no futuro. Com uma reserva financeira sólida e investimentos crescentes, você não está preso a um emprego ou situação que não lhe agrada. Você pode optar por trabalhar menos e desenvolver um trabalho paralelo que você goste, mudar de carreira ou até mesmo se aposentar mais cedo. Essa liberdade é um dos maiores benefícios de poupar e investir de forma inteligente o excedente financeiro.
Como adotar essa estratégia no longo prazo
Defina um estilo de vida que seja sustentável
Para viver um degrau abaixo, você precisa definir um estilo de vida que você consiga manter a longo prazo. Isso significa fazer escolhas conscientes, mais racionais, sobre onde e como você gasta seu dinheiro. É importante encontrar um equilíbrio entre viver confortavelmente e não ceder ao desejo de gastar excessivamente só porque você pode ou porque outras pessoas, em tese de mesmo nível financeiro que você, estão gastando.
Estabeleça metas financeiras de longo prazo
Metas são extremamente importantes para manter o foco. Quer se trate de comprar uma casa, financiar a educação dos filhos, fazer uma grande viagem, ou uma aposentadoria confortável, saber o que você deseja alcançar ajudará a justificar a escolha de viver abaixo de suas possibilidades. Essas metas servirão como motivação para continuar economizando e investindo ao longo do tempo.
Invista em educação financeira
Educar-se financeiramente é importantíssimo para tomar decisões melhores e maximizar o potencial de suas economias. Aprender sobre diferentes tipos de investimentos e planejamento financeiro permitirá que você use seus recursos da melhor forma possível. Isso pode incluir desde cursos online, livros, pós-graduação, ou até contratação de consultores financeiros ou planejadores financeiros para auxiliá-lo nessa jornada.
Reveja e ajuste seu plano regularmente
A vida e as finanças estão em constante mudança, por isso, é importante revisar e ajustar seu plano periodicamente. À medida que sua renda cresce ou suas circunstâncias mudam, você pode decidir aumentar sua margem de poupança, diversificar seus investimentos ou até mesmo reavaliar suas metas de longo prazo, aumentando seu custo de vida, se já tiver um bom patrimônio acumulado.
Conclusão
Viver um degrau abaixo no longo prazo é uma estratégia inteligente para construir segurança e liberdade financeira. Ao optar por um estilo de vida que prioriza um o futuro, sem abrir do presente, você não só acumula riqueza, mas também ganha tranquilidade e a liberdade de fazer escolhas significativas ao longo da vida. Embora possa exigir disciplina e paciência, os benefícios dessa atitude são inestimáveis.
Portanto, essa estratégia não é sobre privação, mas sobre controle e planejamento. O dinheiro que você ganha não é para pagar apenas as contas do mês, mas para pagar as contas da vida. É sobre tomar as rédeas de sua vida financeira e garantir que, independentemente das circunstâncias externas, você está preparado e no caminho certo para alcançar seus objetivos. Ao viver um degrau abaixo, você constrói não só um futuro mais seguro, mas também uma vida mais equilibrada e feliz.
Principal lição da Psicologia Financeira de Morgan Housel

Para o sucesso financeiro, seu comportamento é mais importante que sua habilidade.
A premissa do livro é que o sucesso financeiro tem menos a ver com inteligência e muito mais a ver com o comportamento. E a forma como alguém se comporta é uma coisa muito difícil de se ensinar, mesmo para pessoas bastante inteligentes.
Assim para ilustrar essa ideia, o autor destaca que, no mercado financeiro, um gênio que não consegue controlar suas emoções pode ser um desastre financeiro. Em contrapartida, alguém comum, sem educação financeira, pode ter grande sucesso financeiro, desde que tenha algumas habilidades comportamentais não relacionadas aos métodos tradicionais de inteligência.
A fim de exemplificar essa afirmação, o Morgan conta a história Ronald James Read, uma pessoa comum, que foi frentista e faxineiro, e acabou se tornando um filantropo, após conseguir grande riqueza como investidor, deixando alguns milhões de dólares em doação para o hospital e para a biblioteca de sua cidade.
Ele foi a primeira pessoa de sua família que concluiu o ensino médio e necessitava de carona todos os dias para chegar à escola. Passou 25 anos consertando carros e 17 anos varrendo o chão de uma grande rede de lojas de departamentos. Comprou sua casa aos 38 anos de idade e viveu nela pelo resto da vida.
O Sr. Read morreu em 2014, aos 92 anos de idade e foi após esse momento que ele ganhou “fama”, porque, naquele ano, segundo o autor, 2.813.503 pessoas morreram nos EUA. Menos de 4 mil dessas pessoas tinham patrimônio líquido superior a 8 milhões de dólares quando faleceram e o Sr. Read estava nesse grupo seleto.
Dessa maneira, o que pode te deixar surpreso é como alguém com uma vida tão simples e comum como a dele poderia alcançar tamanha riqueza. Diferente do que a maioria pode pensar, não há nenhuma história secreta. Nada de bilhete de loteria ou herança. Ele apenas guardou o pouco que podia, montando um carteira de investimentos com ações de grandes empresas e fez isso repetidas vezes ao longo dos anos e esperou até que o patrimônio alcançasse o patamar de 8 milhões de dólares. Simples assim.
Sem saber, o Sr. Read aplicou a famosa frase do famoso investidor Charlie Munger, a qual diz que o grande dinheiro (ou dinheiro de verdade) não está na compra e na venda, mas sim na espera”.
Esse comportamento parece simples, mas extremamente difícil de realizar. Porque investir por tanto tempo, resistindo a todas as crises financeiras que ocorreram ao longo dessas décadas de investimento, sem vender uma única ação e, dependendo, até comprando mais, é um comportamento que pessoas consideradas “mais inteligentes” ou “melhor instruídas” normalmente não conseguem fazer.
Além disso, o mais interessante é uma outra história que o Morgan Housel conta, em contraponto a do Sr. Read, que aconteceu alguns meses antes. Richard Fuscone, um alto executivo, era tudo que o Sr. Read não era. Ele teve uma ótima formação em Havard, com direito a pós-graduação, e uma ótima carreira em um grande banco, o Merrill Lynch. Como consequência, se aposentou aos 40 anos. Quando em atividade, chegou a ser eleito pela revista Crain, especializada em negócios, como um dos 40 empresários de sucesso com menos de 40 anos.
Diferentemente do Sr. Read, Fuscone fez um grande empréstimo em meados dos anos 2000, para expandir sua mansão de mais de 1,5 mil metros quadrados, em Connecticut, a qual tinha onze banheiros, dois elevadores, duas piscinas e sete garagens, o que gerava um custo de manutenção de 90 mil dólares mensais. Em 2008, veio a crise financeira do mercado hipotecário americano, afetando as finanças de quase todo mundo, e, aparentemente, transformou o dinheiro do Sr. Fuscone em pó. As dívidas altas e ativos sem liquidez, o levaram à falência.
O Sr. Fuscone declarou a um Juiz de falências, em 2008, que não possuía mais nenhuma fonte de renda. Após isso, perdeu a primeira de suas casas em uma execução judicial. Em 2014, foi a vez da mansão que ele havia expandido. Cinco meses antes do Sr. Read falecer e deixar sua fortuna para a caridade, a mansão do Sr. Fuscone foi vendida em um leilão de execução hipotecária por um valor 75% abaixo do laudo de avaliação feito por uma seguradora.
É nesse momento que podemos destacar o quanto o mercado financeiro é democrático. Essas duas histórias enfatizam essa ideia. O Sr. Read era paciente, o Sr. Fuscone, mais ganancioso. Esse comportamento diferente foi suficiente para que a diferença entre a formação e a experiência de mercado deles se tornasse irrelevante.
O ponto não é que você deva ser mais como o Sr. Read e menos como o Sr. Fuscone, apesar de não ser um conselho ruim. Mas a principal conclusão aqui é que, provavelmente, apenas no mercado financeiro, uma pessoa sem diploma universitário, sem treinamento, sem experiência formal e sem conexões pode superar de forma relevante alguém com melhor educação, melhor treinamento e melhores conexões.
Em nenhuma outra área você verá um faxineiro superar um médico cirurgião, um engenheiro, um arquiteto, um físico, e por aí vai. Só consigo imaginar isso possível no mercado financeiro. Dito de outra forma, o sucesso financeiro não é uma habilidade técnica. É uma habilidade pessoal, na qual o seu comportamento é mais importante do que o seu conhecimento.
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